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12 de abril de 2019


Depressão aumenta o risco de TVP e de TEP ?



Elimar Jacob Salzer Rodrigues I Atualizado em 12/04/2019 I Psiquiatria
TVP = Trombose venosa profunda é a formação de um coágulo sanguíneo  em uma veia profunda, geralmente nas pernas. Os sintomas incluem dor, edema, vermelhidão e sensação de calor na área afetada.

TEP = Tromboembolismo pulmonar  ou Embolia pulmonar, é o bloqueio da artéria pulmonar ou de um de seus ramos. Geralmente, ocorre quando um trombo venoso (sangue coagulado de uma veia) se desloca de seu local de formação e viaja, ou emboliza, dificultando a circulação arterial de um dos pulmões.

O impacto de transtornos mentais na saúde física ainda é pouco conhecido.
Transtornos como depressão e ansiedade têm sido associados a maior risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes mellitus e até cânceres.

A depressão também é fator de risco para síndrome metabólica e maus hábitos de vida (e esses, por sua vez, para o TEP), os estudos ajustaram suas variáveis para fatores como idade, IMC, tabagismo e comorbidades associadas.

Uma metanálise britânica publicada em Julho/2018 demonstrou que a depressão por si só aumenta o risco de tromboembolismo. 
Embora a pesquisa tenha envolvido um número alto de pacientes, totalizando 960.113, para conclusões, é importante excluir outros fatores de risco associados. 

O resultado geral foi de um risco relativo (RR) de 1,27 para pacientes em uso de antidepressivos e um RR de 1,31 para aqueles em depressão sem tratamento.

O risco também varia de acordo com o sexo, porém 
sem um padrão bem estabelecido. 
O RR de mulheres com depressão foi de 1,21, enquanto o de 
homens com depressão foi de 1,65.
Fisiopatologia
·       Pacientes com depressão tendem a ter estilos de vida com riscos potenciais, como o sedentarismo, tendência à obesidade e ao tabagismo. Além disso, um estado pró-inflamatório sistêmico tem sido associado com a depressão, o que também é um fator de risco para TVP/TEP.


·       Em outros estudos, já foi observado que pacientes deprimidos têm ativação plaquetária e atividade pró-coagulante exacerbada.


  •      Outros demonstram relação entre depressão e hiper-homocisteinemia.


TVP - desenho e foto






TEP  - desenho 




Como interpretar os resultados, já que muitos deles são 
contraditórios e/ou não consistentes?
É importante termos em mente essa possibilidade 
para estarmos atentos à depressão como potencial fator de risco, 
caso o  paciente apresente sinais ou sintomas 
que nos levem à suspeita clínica de TVP/TEP.

Ou seja, a análise caso a caso continua essencial.


Um comentário:

  1. Parabéns por esse artigo tão esclarecedor, Dra. Elimar!! A depressão para mim, como leiga, sempre esteve associada a hipóteses de suicídio. Eu jamais poderia imaginar esses outros efeitos colaterais tão devastadores. Muito obrigada pelos esclarecimentos. Passei a enxergá-la com outros olhos. Muito mais atentos!!!

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