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19 de maio de 2019


Privacidade das informações em Saúde
SciELO - Saúde Pública // Cadernos de Saúde Pública 34 (7)
https://doi.org/10.1590/0102-311X00039417  

Tania Margarete Mezzomo Keinert, Carlos Tato Cortizo 2018.
Modificado por Elimar Jacob Salzer Rodrigues 2019 (UFJF Sinopse)





...são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
(Constituição Federal do Brasil de 1988, art. 5º, inciso X).

...Não relatar o que no exercício do meu mister eu veja ou ouça e que não deva ser divulgado, mas considerar tais coisas como segredos sagrados. Se eu mantiver este juramento, possa desfrutar honrarias na minha vida e na minha arte, entre todos os homens;
se o transigir, suceda-me o contrário.
Trecho do Juramento de Hipócrates (460 a.C. em Cós; † 370 a.C. em Tessália).







A Privacidade em Saúde é um tema atemporal, 
já que todos os Profissionais da Saúde têm a 
grave responsabilidade de mantê-la rigorosamente.

Trata-se de um direito fundamental, baseado no princípio constitucional da dignidade da pessoa humana.

São, no entanto, escassas as análises sobre privacidade nas 
práticas em saúde que se utilizam das novas                 
tecnologias de informação e comunicação (TICs).






 Evitar o vazamento total ou parcial de informações sobre a saúde das pessoas é neutralizar seu potencial discriminatório. 


Para isso, os registros de dados pessoais dos pacientes em bancos de dados devem, necessariamente, ser anônimos, para a ética de prestadores de serviços, gestores, profissionais e usuários.      

O uso de TICs para mediar a atenção à saúde é denominado e-Saúde (e-Health). A terminologia, adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), inclui assistência ao paciente, pesquisa, educação e capacitação da força de trabalho, monitoração e avaliação em saúde.




Processos de e-Saúde incluem o Cartão Nacional de Saúde implantado no Sistema Único de Saúde (SUS), teleconsultorias, telediagnóstico, telecirurgia, telemonitoramento, televigilância, teleducação, educação permanente, segunda opinião clínica, e prontuário eletrônico.

O Plano Nacional de Saúde 2016-2019, aprovado pelo Conselho Nacional de Saúde, apoia a promoção de ações para assegurar a preservação dos aspectos éticos, de privacidade e de confidencialidade em todas as etapas do processamento das informações.



                 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) 
É fundamental a sua correta utilização 
nas pesquisas envolvendo seres humanos, 
assim como a utilização de protocolos específicos para a 
proteção à privacidade nos serviços de saúde.




Veja o texto na íntegra, na aba Psico Atualizações deste blog



12 de maio de 2019


Ser acolhedor e competente não é o máximo;


é o mínimo. 


Elimar Jacob Salzer Rodrigues - UFJF - Atualização maio/19.




A instalação de uma doença, emocional e/ou física, leva o paciente 
a reeditar suas ansiedades, fantasias e expectativas. 

Ele estará invadido por sentimentos de desamparo, medo, culpa, 
vergonha, revolta e agressividade auto e heterodirigidas.




O setor de Saúde é composto por 10 categorias profissionais: 

Medicina, Farmácia, Odontologia, Psicologia, Enfermagem, Fisioterapia, 

Educação Física, Nutrição, Fonoaudiologia, Serviço Social.

O texto que se segue vale também para hospitais, clínicas, 

atendimentos de urgência/emergência e correlatos.




Acolhimento é uma diretriz da Política Nacional de Humanização (PNH), que não tem local, ou hora para acontecer, nem um profissional específico para fazê-lo: faz parte de todos os encontros do serviço de saúde.

Nada inviabiliza mais o ato profissional do que a incomunicabilidade.

Acolhimento, confiabilidade, segurança, compreensão e cuidado, 
são fundamentais, mas não bastam para um atendimento correto.




É necessário que o profissional esteja  interessado não só nos avanços que ocorrem em sua área, mas nos de áreas correlatas, bem como na cultura mais ampla, para conseguir discernir o que o paciente quer lhe transmitir.


A estagnação, o imobilismo, as ideias pré-concebidas

e a arrogância são indesejáveis e

perigosos em qualquer circunstância.



O objetivo do tratamento é a obtenção da cura 
ou, na sua impossibilidade, 
a redução, a máxima possível, do sofrimento do paciente.

Para isso existem as técnicas de anamnese: 
inventário completo da queixa atual e passada, de tratamentos simultâneos, das medicações usadas anteriormente e de uso atual: 
elas podem estar na base dos sintomas ou serem mesmo a sua causa.

Todos os exames laboratoriais interessam muito e podem ditar uma conduta contemporânea e sofisticada de atenção às 
comorbidadessinais e sintomas associados a outras condições.




Havendo a suspeita de transtornos associados: 
endocrinológico, neurológico, psicológico, psiquiátrico, infeccioso, autoimune, degenerativo, etc, o mais correto e seguro, tanto para o paciente como para o profissional, será solicitar a avaliação e o parecer especializados.

Não hesite em fazê-lo.

Atenção aos aspectos profissional, sócio-cultural, ambiental e 
familiar do paciente.


 REGISTRO - o mais detalhado das queixas e da evolução do tratamento regerá as ações profissionais, e 
poderá evitar erros e futuros constrangimentos.


Não há tratamento sério sem registro

Finalmente, oferecer, com perseverante empenho, um espaço psicológico garantido para que a relação profissional-paciente 
seja plena de confiança e de comprometimento.




Ou, se assim não ocorrer, desistir de toda e qualquer
pretensão de sucesso terapêutico.



12 de abril de 2019


Depressão aumenta o risco de TVP e de TEP ?



Elimar Jacob Salzer Rodrigues I Atualizado em 12/04/2019 I Psiquiatria
TVP = Trombose venosa profunda é a formação de um coágulo sanguíneo  em uma veia profunda, geralmente nas pernas. Os sintomas incluem dor, edema, vermelhidão e sensação de calor na área afetada.

TEP = Tromboembolismo pulmonar  ou Embolia pulmonar, é o bloqueio da artéria pulmonar ou de um de seus ramos. Geralmente, ocorre quando um trombo venoso (sangue coagulado de uma veia) se desloca de seu local de formação e viaja, ou emboliza, dificultando a circulação arterial de um dos pulmões.

O impacto de transtornos mentais na saúde física ainda é pouco conhecido.
Transtornos como depressão e ansiedade têm sido associados a maior risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes mellitus e até cânceres.

A depressão também é fator de risco para síndrome metabólica e maus hábitos de vida (e esses, por sua vez, para o TEP), os estudos ajustaram suas variáveis para fatores como idade, IMC, tabagismo e comorbidades associadas.

Uma metanálise britânica publicada em Julho/2018 demonstrou que a depressão por si só aumenta o risco de tromboembolismo. 
Embora a pesquisa tenha envolvido um número alto de pacientes, totalizando 960.113, para conclusões, é importante excluir outros fatores de risco associados. 

O resultado geral foi de um risco relativo (RR) de 1,27 para pacientes em uso de antidepressivos e um RR de 1,31 para aqueles em depressão sem tratamento.

O risco também varia de acordo com o sexo, porém 
sem um padrão bem estabelecido. 
O RR de mulheres com depressão foi de 1,21, enquanto o de 
homens com depressão foi de 1,65.
Fisiopatologia
·       Pacientes com depressão tendem a ter estilos de vida com riscos potenciais, como o sedentarismo, tendência à obesidade e ao tabagismo. Além disso, um estado pró-inflamatório sistêmico tem sido associado com a depressão, o que também é um fator de risco para TVP/TEP.

·       Em outros estudos, já foi observado que pacientes deprimidos têm ativação plaquetária e atividade pró-coagulante exacerbada.


  •      Outros demonstram relação entre depressão e hiper-homocisteinemia.


TVP - desenho e foto






TEP  - desenho 




Como interpretar os resultados, já que muitos deles são 
contraditórios e/ou não consistentes?
É importante termos em mente essa possibilidade 
para estarmos atentos à depressão como potencial fator de risco, 
caso o  paciente apresente sinais ou sintomas 
que nos levem à suspeita clínica de TVP/TEP.

Ou seja, a análise caso a caso continua essencial.


20 de março de 2019


Hipersonia 


Hipersonia ou Hipersônia é um Transtorno do Sono  caracterizado por sonolência excessiva durante o dia e/ou sono prolongado a noite. 
Ao contrário de problemas de sono causados por noites mal dormidas, dormir durante o dia não diminui a sonolência.
Ocorre também em pessoas com ciclo de sono invertido (p. ex., trabalhadores noturnos). Mesmo após dormir mais de 8h por dia o paciente tem dificuldade para se levantar e continua com sono durante todo o dia.

Pode ser classificada como:
1.  Hipersonia idiopática - quando não se consegue determinar a causa. Quase sempre como consequência de alterações nos ciclos da serotonina ou/e noradrenalina - neurotransmissores envolvidos na regulação do ciclo sono - vigília.

2 - Sintomática - quando constitui sintoma de outro transtorno ou doença, como depressão, fibromialgia e hipotireoidismo.

3 - Medicamentosa - por efeito colateral de outro medicamento usado simultaneamente. Exemplo: certos antidepressivos, benzodiazepínicos, antipsicóticos.
 Ocorrência -  mais comum entre os 15 e 25 anos. Cerca de 5% dos adultos possuem esse problema.

Para ser firmado o diagnóstico de hipersonia, o paciente deve apresentar os sintomas por pelo menos um mês e esse transtorno deve ter um impacto significativo sobre sua vida social, funcional e emocional.

Difere da Narcolepsia pela sonolência não ser súbita nem cessar após dormir.
 Não deve ser confundida com a Síndrome de Kleine–Levin em que se dorme por até 18h por dia nem com Distúrbios da fase REM, do sono.


Sintomas:
·       Ansiedade
·       Irritabilidade
·       Diminuição da energia
·       Inquietação
·       Pensamento lento
·       Fala lenta
·       Perda de apetite
·       Alucinações
·       Problemas de memória.

Pessoas com hipersonia devem evitar dirigir e utilizar ferramentas/máquinas perfurantes ou cortantes utilizar enquanto estiverem sonolentas.
É fundamental o diagnóstico antes de se iniciar qualquer tentativa terapêutica. O exame de polissonografia pode fornecer pistas ou até diagnóstico conclusivo.
Em muitos casos o tratamento é apenas sintomático. Em alguns, é possível utilizar-se  medidas corretivas.
Quando se suspeita de origem medicamentosa para o transtorno pode-se considerar a substituição do medicamento.
 Alguns medicamentos estimulantes podem ser utilizados, por especialistas experimentados no quadro:
·       anfetaminas
·       antidepressivos
·       clonidina
·       levodopa
·       metilfenidato
·       modafinil

Importante: Mudanças no comportamento  - exercícios físicos e dieta orientada podem oferecer alívio. 
Álcool e cafeína alteram o ciclo vigília- sono e devem ser evitados.







2 de dezembro de 2018


 SÍNDROME DE EKBOM

Trata-se de um quadro neuropsiquiátrico, caracterizado 
por  delírios de infestação parasitária na pele, descrito 
em 1938, pelo neurologista sueco Karl Axel Ekbom, 
mais conhecido por sua descrição detalhada 
da Síndrome das Pernas Inquietas***veja texto neste blog. 


Karl Axel Ekbom

É uma síndrome neuropsiquiátrica na qual o paciente apresenta a crença delirante de que sua pele está infestada por insetos, vermes ou outros pequenos animais.
Mais comum no sexo feminino, de idade mais avançada, com pouca  interação social.

Por não reconhecer os sintomas como um quadro psiquiátrico, a família recorre a vários métodos e tratamentos fadados ao insucesso, levando o paciente 
e a família ao desespero.




 Com o agravamento, família fica alarmada e procura auxílio apenas quando as medidas de aconselhamento e de garantias de que não tem bichinhos na sua pele não surtem mais efeito e a pessoa passa a se coçar com grande aflição, chegando a provocar lesões, e até mutilações, de diversas proporções, em sua pele, na tentativa de retirá-los.

As manifestações psiquiátricas desta síndrome podem variar desde os delírios acima mencionados, 
e outros sintomas psicóticos, 
a sintomas fóbicos e obsessivos.

Delírios são crenças fixas, inabaláveis, que não estão de acordo com a cultura na qual o paciente está inserido. 

Os delírios estão entre os sintomas mais desafiadores 
da psiquiatria, pela multiplicidade de crenças 
que podem ser encontradas.

É comum que os pacientes guardem em caixas debris, tecidos descamativos, cabelos, crostas, poeira, folhas, partes de insetos, dentre outros detritos que se aderem às lesões, levando-os à consulta médica na tentativa de provar que estão sendo parasitados. 

É chamado de “sinal da caixa de fósforo”.

Esse quadro pode apresentar comorbidade com: 
neurite periférica, diabetes mellitus e demência. 
Além disso, a capacidade de descrever os 
parasitas com detalhes e até desenhá-los 
é outro componente da síndrome. 




Quando esses pacientes não se isolam socialmente são capazes de induzir o transtorno psicótico em outra pessoa (folie à deux), o que corresponde de 5 a 25% dos casos. 
As mulheres induzem mais do que os homens.

O tratamento pode ser feito utilizando-se corretamente os psicofármacos mais indicados, 
com cuidados em relação aos demais medicamentos 
em uso pelo paciente, tendo  em mente as perigosas interações medicamentosas, 
cada vez mais temidas pela potência farmacológica 
de todos os medicamentos. 

Além disso, é importante que 
o paciente passe a interagir socialmente.