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17 de janeiro de 2022

 

A OMS divulga a nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11)

Elimar Jacob Psiquiatra – Coordenadora da Comissão de Ética Médica da SMCJF


A nova Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID 11) entrou em vigor em 01.01.2022, após 10 anos de preparação.

Pela primeira vez, a nova CID é totalmente eletrônica, tornando-a mais fácil de ser consultada e usada e menos propensa a erros, segundo a OMS em seu site oficial.

A CID é uma das principais ferramentas epidemiológicas do cotidiano médico e a base para identificar tendências e estatísticas de saúde em todo o mundo.

O novo documento contém cerca de 55 mil códigos únicos para lesões, doenças e causas de morte. A anterior, CID-10, continha 14.400.

Entre as novidades da publicação, estão a inclusão:  do transtorno dos jogos eletrônicos como um dos problemas de saúde mental, capítulos inéditos sobre medicina tradicional, saúde sexual, dentre outras.

Principais funções da CID:  

1.    monitorar a incidência e a prevalência de doenças, por meio de uma padronização universal da comunicação sobre as mesmas;

2.    classificar os problemas de saúde pública;

3.    descrever detalhadamente os sinais e sintomas das doenças;

4.    abordar as causas externas e as circunstâncias sociais das doenças, apresentando um panorama amplo da situação da saúde dos países e suas populações.

De acordo com Dr. Robert Jakob, coordenador da equipe de classificação de terminologias e padrões da OMS, essa décima primeira edição também reflete o progresso da medicina e os avanços na compreensão científica.

Numerosas seções que foram atualizadas de acordo com o conhecimento atual, incluem a cardiologia, alergias, doenças do sistema imune, doenças infecciosas, câncer, demência e diabetes.

A CID também é utilizada por:

1.    seguradoras de saúde cujos reembolsos dependem da codificação de doenças;

2.    gestores nacionais de programas de saúde;

3.    especialistas em coleta de dados;

4.    outros profissionais que acompanham o progresso na saúde global e determinam a alocação de recursos de saúde.

A velhice, inicialmente proposta, não constará mais como diagnóstico de doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Após críticas de várias organizações, entre elas as do Conselho Nacional de Saúde do Brasil, a OMS revisou a classificação e, assim, a velhice passará a constar como possível fator associado à causa de morte e não mais como a causa definida e registrada no diagnóstico médico.

Diversas organizações civis atuaram conjuntamente para a conquista desta revisão por meio do movimento “Velhice não é Doença".

Considerou-se o forte preconceito que surgiria contra esse grupo populacional, que seria alimentado pela decisão da OMS.

A própria ONU lançou a Década do Envelhecimento Saudável, para o período 2021-2030, e no início de 2021, publicou relatório denunciando a discriminação contra essa faixa etária, que "contribui para a pobreza e a insegurança econômica das pessoas na velhice".



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